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'Separados, somos separados
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Fabiane Rocha Bello “Se a tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar. Pois, como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?” Ex. 33.15-16 Deus, o Criador, apresenta-se como o Deus que separa. O Deus que faz separação. Faz separação “entre a luz e as trevas”, “entre águas e águas”, “entre o dia e a noite”. E Deus cria também sinais de separação. Pelas Escrituras Sagradas, podemos entender que, antes mesmo da criação do sol, a luz já existia, e o sol foi criado para fazer “...separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais...Deus fez os dois grandes luzeiros ... para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas.” Gn 1.14-18 Será que podemos ligar toda essa apresentação bíblica, considerada simbólica ou não, à realidade cristã que deve ser vivenciada? É claro que sim. Há um evidente atuar de Deus em toda a história humana, mostrando-nos que Ele faz separação. Talvez seja melhor dizermos que Ele é essa separação. Ele mesmo é o diferencial. Nós é que teimamos em fazer “mistura”. Mas nosso Deus não é eclético. Estamos nos aproximando da páscoa. Então me recordo que, um dia, Deus ouviu o clamor do Seu povo sofrendo no Egito e usou Moisés para liderar sua libertação por meio de sinais e maravilhas. Quando Moisés perguntou a Deus o que ele deveria responder aos Israelitas, quando perguntassem quem o enviou, o Senhor mandou que ele respondesse: “EU SOU me enviou a vós outros” (Êx. 3.14). Ele provaria àquela grande nação e ao seu próprio povo que ELE É a diferença. Com a instituição da páscoa e a 10a. praga, de forma muito clara, Deus também prova que Ele faz separação entre os que são e os que não são dEle. Deus institui a páscoa e ordena que todas as famílias israelitas imolem um cordeiro e que tomem do seu sangue e marquem as portas de suas casas. Dessa forma, a décima praga não atingiria aquela casa, e Deus diz : “ Haverá grande clamor em toda a terra do Egito, qual nunca houve, nem jamais haverá; porém contra nenhum dos filhos de Israel, desde os homens até aos animais, nem ainda um cão rosnará, para que saibais que o Senhor fez distinção entre os egípcios e os israelitas”. Êx 11.6-7 SER SAPARADO É UMA DECISÃO PESSOAL E INADIÁVEL. Deus não obrigou ninguém a se separar do povo do Egito. O Senhor não enviou anjos para marcar as portas, quem as marcava eram os próprios israelitas. Era uma decisão pessoal e inadiável, sem possibilidade de deixar para depois. No dia seguinte, antes do sol nascer, já seria tarde demais. Hoje é o dia, a hora é agora, precisamos tomar a decisão de sermos ou não do Senhor. E nós, assim como os israelitas, sabemos qual é o nosso amanhã: se estivermos com o Senhor, teremos suas promessas, suas bênçãos aqui e a eternidade de alegria e paz com Ele; se não estivermos com Ele, sabemos que nosso amanhã será um abismo chamando outro abismo e uma eternidade de separação do Senhor. “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal (...) escolhe, pois, a vida, para que vivas” Dt 30.15;19 E se eu não quiser marcar minha porta? A Bíblia diz que ainda o sol não havia nascido e “...fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto.” Misericórdia! É isso que acontece com vidas que não são marcadas pelo sangue. Há choro, há desespero, há morte. Morte espiritual, morte dos sonhos, morte do prazer de viver, morte da comunhão com Deus. O SINAL DA SEPARAÇÃO TEM QUE SER VISÍVEL. “O sangue vos será por SINAL nas casas em que estiverdes...”. Ex. 12:13 Precisamos parar e nos perguntar: “minha vida tem SINAL de sangue? Sangue que me redime e me faz diferente, separado por Deus? Será que Deus olha para minha casa e vê a Sua marca em mim?” Qual porta deve ser marcada com o sangue? Será que devemos marcar só a porta de serviço? Aquela que dá para o quintal? Aquela que só os íntimos da família conhecem? Naquela noite, o anjo do Senhor passou na terra do Egito e olhou para as portas das casas. Aquelas que estivessem marcadas, Ele prometeu que não entraria para ferir o primogênito. Ora, não era necessário entrar na casa para conhecer ou ver se aquela família era separada ou não, bastava olhar para a casa. Quem quer ser salvo marca logo a porta mais visível, a porta de entrada, a principal. Marcar somente a porta dos fundos é não querer que Deus nem os passantes percebam o sinal do sangue. NÃO EXISTE SEPARAÇÃO PARCIAL. O Senhor nos disse o que precisamos fazer para sermos dEle: Deus manda que os dois umbrais e a verga da porta sejam marcados com o sangue. Ou seja, se você é o templo, é a casa do Espírito Santo de Deus, não pode estar só com a verga ou só os umbrais marcados. Porta representa sempre a entrada, porque sua definição essencial é abertura para passagem ou acesso. Não existe porta meio fechada. Porta encostada é porta aberta. Basta um leve vento para ela expor seus proprietários. Da mesma forma, não existe porta meio marcada. Ou você marca todos os lados de sua porta ou então, quem está a passar e olha para sua casa, imagina que você desistiu de marcá-la. NÃO PODEMOS SER HOJE SEPARADOS E AMANHÃ VOLTARMOS À “MISTURA”. Moisés recomendou ao povo que, durante aquela noite, ninguém saísse de sua casa até que o dia amanhecesse. Não existe oscilação na separação para Deus. Não podemos abandonar o sinal do sangue em nossas vidas e depois retomá-lo. Não podemos marcar e desmarcar nossas portas. “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontra os caminhos aplanados...” Salmos 84-5. Não podemos levar nossa comunhão com Deus entre altos e baixos. Certamente teremos muitas aflições, Jesus mesmo nos advertiu, mas Ele nos disse para termos bom ânimo. Passemos pelas montanhas e pelos vales, mas sem perder o ritmo em nossa corrida. Teremos que passar por vales; por isso, lembre-se de que a descida é muito confortável, mas subir é um grande esforço. Se há muito descanso em nosso caminho, significa que há pouco preparo. Uma vez estando no vale, será que conseguiremos subir de novo? Vou dar a seguinte dica: se você perceber que vai descer um vale, corra, corra muito mesmo a carreira que te está proposta, olhando firmemente para o Senhor. Não temos o que temer, porque o Senhor estará conosco. Embale-se para poder subir o mais rápido possível para o cume e assim abreviará o tempo que tiver de ficar no vale. AS MARCAS QUE DEIXAMOS DIZEM QUEM SOMOS. No dia seguinte à saída dos israelitas, as portas marcadas com o sangue ainda estavam lá. Agora passam a ser sinal, para toda a nação egípcia, que ali morou o povo do Deus Vivo, do Deus Todo-poderoso. ALELUIA!!! Que tipo de sinal temos deixado por onde temos passado? Nossos sinais dizem que somos filhos de Deus? Ou será que corremos o risco de ouvir alguém dizer: “Nossa! você não parece nem um pouquinho com o seu pai!”. Jesus passou entre nós pouco mais de 30 anos, mas foi tempo suficiente para deixar marcas, da mesma forma que o povo de Deus deixou no Egito. Existem pegadas, existe sangue marcando o chão, existem sinais marcando as mãos e os pés de Jesus. Marcas de separação. Sinais de quem é Santo, sinais de quem é separado. É bom notar que a Bíblia começa com separação entre luz e trevas, entre dia e noite. Santificação quer dizer separação. Santificação é um processo que deixa marcas. Marcas na vida de quem se santifica. E o santificado deixa marcas por onde passa. Deus mesmo é quem nos orienta em como marcar nossas vidas para Ele. Este processo de “sinalização” de que somos do Senhor dói, mas não machuca; transforma, mas não destrói. E nesta caminhada com Cristo, o Espírito Santo nos incomoda com uma coisinha aqui, outra ali; uma “coisona” aqui, outra ali. E assim somos modificados, marcados, separados, transformados, sinalizados todos os dias. PARA SERMOS SEPARADOS TEMOS QUE SACRIFICAR. No Egito, cada casa israelita sacrificou um cordeiro para marcar a porta. Há um sacrifício, há um derramamento de sangue. De início, parece-nos terrível ter que sacrificar alguma coisa. Sacrifício nos faz lembrar algo extremamente dolorido. Mas, depois do sacrifício, somos separados, marcados para Deus. Passamos a perceber que não podemos fazer mais nada além de agradecer ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tirou das trevas para o reino de Sua maravilhosa luz. A alegria da santificação e da comunhão com Deus apaga as lembranças do nosso sacrifício. Até porque apenas o maior de todos os sacrifícios, e apenas ele, era realmente capaz de nos unir a Deus, e este sacrifício já foi feito por Jesus. Deus mandou Seu único filho para se fazer nosso cordeiro pascoal e, com seu sangue, marcar nossas vidas para sempre. “...subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.” Filip.2:6-8 Que as marcas que levamos em nossas vidas e aquelas que deixamos por onde passamos sejam sinais de que somos realmente diferentes. Povo separado, povo amado do Senhor. Só assim nossas vidas louvarão e glorificarão o nome que está acima de todo nome, o nome de Jesus Cristo, autor e consumador de nossa fé. Que sejam sinais do sangue vertido na cruz, sangue que nos tirou da escravidão do pecado e nos trouxe para a liberdade em Cristo Jesus. Dessa forma, muitos poderão vir a seguir os sinais deixados por nós e chegarão ao pleno conhecimento da verdade que está em Jesus. Termino lembrando que a palavra santo quer dizer separado. Sem santificação ninguém verá o Senhor. Releia este texto, se for possível, tendo em mente essas duas últimas considerações. E, por fim, “examine o homem a si mesmo” I Co 11.28.
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