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Entre os Espinhos e o Caminho Fabiane Rocha Bello Estamos vivendo dias terríveis. Muitos compromissos a serem cumpridos, muitas decisões a serem tomadas. Dizem os antigos que os dias de hoje são mais curtos que os de antigamente. Cada vez mais nos falta tempo, e o tempo realmente tem se abreviado. Apesar de por vezes acharmos que a volta de Cristo está demorando, e de o mundo não crer que Jesus voltará, nós como cristãos não podemos perder este fato de vista: “Cristo vai voltar, acredite ou não. E vem pra julgar, pra dar uma decisão...” (João Alexandre) O dia de hoje está mais perto da volta de Cristo do que o que se passou. Amanhã estará mais perto ainda. Cada dia que finda é mais um passo para o cumprimento desta profecia. No meio de tanta agitação e correria, salta aos olhos uma parte especial da parábola do semeador (Mateus 13). Quando Jesus explica esta parábola, ele fala: “o que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt 13.22). Ao contrário das outras sementes que foram lançadas e não tiveram bons resultados, aquela que cai entre os espinhos aparentemente cresce, porém não dá frutos. Foi isto que Jesus disse: “ela fica infrutífera”. Note-se a diferença: a semente que caiu na beira do caminho, o maligno arrebatou a mensagem do coração; a semente que caiu em solo rochoso não teve raiz em si mesma e quando chegou a angústia ou a perseguição, se escandalizou; mas a que caiu entre os espinhos teve como fim não dar frutos, ou seja, chegou a crescer mas não frutificou. E por quê isto aconteceu? Porque a palavra foi sufocada pelos cuidados desta vida. Jesus também disse que o caminho que leva à vida é estreito e o que leva à perdição é largo. Se pudéssemos visualizar estas duas passagens da escritura — a semente entre espinhos e o caminho estreito, possivelmente veríamos o seguinte quadro: um caminho bem apertado, que só dá para uma pessoa passar e este pequeno espaço é ainda limitado por espinhos. Assim, se nos desviarmos um pouquinho do caminho, vamos nos ferir nos espinhos e perderemos tempo e forças tentando voltar ao caminho e nos sarar das feridas. Na Bíblia encontramos que não devemos pensar nas coisas daqui da terra, mas nas coisas do alto (Cl 3.2) e que devemos olhar firmemente para Jesus (Hb 12:2). Então, como poderemos não esbarrar nos espinhos, nem nos desviarmos do caminho, se temos que pensar e olhar ‘para cima’? Analisando as Escrituras, nos deparamos com o maior capítulo deste livro — o Salmo119. “A excelência da lei divina” é o título que esta passagem recebeu. Talvez seja este um dos capítulos mais evitados pelos cristãos, pela sua extensão. São 176 versículos. Mas quão rico é este Salmo! Nele, aprendemos especialmente, a caminhar olhando ‘para cima’. “4Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca (...) 9De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. (...) 18Desvenda os meus olhos para que eu contemple as maravilhas da tua lei. (...) 24Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros. (...) 93Nunca me esquecerei dos teus preceitos, visto que por eles me tens dado vida. (...) 96Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. (...) 97Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! (...) 105Lâmpada para os meus pés á a tua palavra e luz para o meu caminho. (...) 113Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei. (...) 130A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.(...)165Grande paz tem os que amam a tua lei, para eles não há tropeço.” Sl 119 O Senhor Jesus nos diz: “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Paulo também nos diz: “Tudo quanto, outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito.” (Rm 15.4) E ainda: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” (II Tm 3.16)Ainda outros versículos poderiam ser lembrados, mas estes três bastam, para afirmar que não existe crescimento na vida cristã sem a leitura e o conhecimento da palavra de Deus. E ela nunca se esgota. Se você já leu 100 vezes, leia 200. “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de discernir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Hb 4.12 Vale ressaltar que os versículos citados se referem ao Velho Testamento. Jesus, Paulo e o autor de Hebreus não tinham o Novo Testamento, o qual temos hoje o prazer da leitura. E porque a palavra de Deus é viva, porque o Senhor vela pela sua palavra, porque passarão os céus e a terra mas as palavras do Senhor não passarão, por estes motivos, a Bíblia chegou em nossas mãos com Velho e Novo Testamento. Sem pretender desmerecer o Novo Testamento, nos voltamos para o Velho Testamento, atualmente tão esquecido. Observa-se que o Velho Testamento é quase o triplo do Novo em número de páginas (na Bíblia que tenho em mãos - 911 pág. x 306 pág). Este dado numérico nos remete ao fato de que Deus, em sua multiforme sabedoria, quer falar ao nosso coração, nos ensinar, também com o tempo da lei, o qual corresponde a aproximadamente 3/4 da Bíblia. “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” Os 4:6 “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” II Tm 2.15 A Palavra de Deus é o que nos faz andar com largueza, sem dificuldades em lidar com os espinhos. Nada em nossas vidas deve tomar o tempo da leitura Bíblica e da oração. A nossa comunhão com o Senhor precisa ser prioridade em nosso dia-a-dia. É grande perda que muitos dias passem sem que busquemos um relacionamento íntimo com Deus. É fato que Deus, em sua grande misericórdia, nos perdoa por aqueles dias que passam sem darmos muita atenção a Ele. Mas o que o Senhor quer ter conosco é intimidade, é comunhão; foi Ele que rasgou o véu, ALELUIA! Ele nos amou primeiro! É preciso que toda a nossa prioridade seja dada ao Senhor. Recordo-me ter ouvido em uma pregação: “quem sabe que não tem nada para dar (ao Senhor), dá tudo o que tem”. Ele, o grande, o Todo-poderoso, se inclina para ouvir a nossa oração, Ele mesmo nos guarda como a menina dos seus olhos, nos cerca por trás e por diante e sobre nós põe sua mão. Mas, infelizmente, o que oferecemos em troca são orações divididas com caminhadas, com a louça suja na pia, com o volante do carro. É muito bom e devemos orar em todo tempo, mas melhor ainda é acrescentar períodos de exclusividade para o Senhor. “É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que Ele fez habitar em nós” (Tg 4.5). Quando Moisés desceu do monte Sinai, dos primeiros 40 dias de conversa com o Senhor no monte, se deparou com o bezerro de ouro feito por Arão, e:“Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos, pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: ‘Quem é do Senhor venha até mim’. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, aos quais disse: (...) ‘Consagrai-vos, hoje, ao Senhor; cada um contra o seu filho e contra o seu irmão, para que Ele vos conceda, hoje, benção’” (Ex 32:25-29). A tribo de Levi não foi escolhida por acaso! Os levitas deram o primeiro passo na direção do Senhor sem se importar com irmãos ou filhos. É isto que Ele quer de nós, o primeiro passo sem olharmos para ninguém, só para Ele. O conhecimento do Senhor é experimental, não é teórico. Mas para isso precisamos dispor o nosso coração para O buscar e cumprir a Sua lei, como fez Esdras; e a boa mão do nosso Deus será sobre nós (Ed 7:9-10). Somos todos chamados a sermos levitas do Senhor. Apesar de usarmos com frequência este termo para designarmos aqueles que trabalham no ministério de louvor em nossas igrejas, o mais correto à luz da palavra de Deus é que todos somos chamados para o sacerdócio. Todos devemos ser levitas. Voltando à ilustração do caminho e da semente entre espinhos, infelizmente muitos estão parados no meio do percurso, observando os espinhos, quer sejam: os cuidados desta vida, ou mesmo os cuidados com o ministério. Às vezes a intenção é de apenas evitar um possível desvio ou ferimentos, mas, por não conhecerem a palavra, estas pessoas não conseguem sair do lugar. Não avançam no conhecimento do Senhor e, conseqüentemente, não dão frutos porque não estão voltados para a luz, para o Sol, elementos essenciais ao crescimento. Estão parados no caminho e o Senhor espera que voltem a sua atenção para Ele, o Sol da Justiça. Sem a luz da Palavra de Deus não há caminhada com Cristo. “Então, conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3).
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